SAMU para cães e gatos

O texto a seguir pertence ao blog do Vereador da cidade de São Paulo, Nelo Rodolfo, e foi publico em 13/08/2013.

SAMU PARA CÃES E GATOS

O vereador Nelo Rodolfo (PMDB) apresentou à Câmara Municipal de São Paulo o projeto de lei que cria o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Veterinário (SAMUV). O objetivo é levar até os bairros um ônibus equipado para o atendimento médico veterinário de animais de pequeno porte, incluindo castração, coleta de material para exame, vermifugação, vacinação e cirurgias de pequeno porte emergenciais.

O veículo será equipado como um pequeno hospital. Pelo projeto, haverá um ônibus para cada região de São Paulo – norte, sul, leste, oeste e centro. Cada ônibus será acompanhado de uma ambulância, para buscar em casa os animais em estado grave. Casos complexos, em que não é possível fazer o atendimento no ônibus-hospital, serão levados para um hospital veterinário.

O projeto tem o apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo e do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), que fará a gestão do primeiro SAMUV, com os estudantes e residentes. “Quase toda residência tem um cachorro. Seria uma forma mais digna de atender os animais”, diz Nelo Rodolfo.

Disponível em http://nelorodolfo.wordpress.com/2013/08/13/samu-para-caes-e-gatos-2/

De acordo com o site da Folha de São Paulo, em uma publicação em 31/08/2013 (ontem), ” o projeto do Samuv (Serviço de Atendimento Médico Móvel de Urgência Veterinário), para socorrer cachorros e gatos, vai custar cerca de R$ 3 milhões. O prefeito Fernando Haddad (PT) deve incluir no orçamento do ano que vem os recursos necessários para concretizar a proposta, apresentada na Câmara pelo vereador Nelo Rodolfo (PMDB).”

“Cada ambulância está orçada em cerca de R$ 150 mil, segundo o autor. Para equipar um ônibus para castração, são estimados R$ 400 mil. Rodolfo, que esteve com Haddad nesta semana e diz ter ouvido dele o compromisso com o projeto, afirma que o prefeito “achou a ideia ótima”. “Ele vai me ajudar a aprovar o texto na Câmara”, diz o vereador.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2013/08/1334887-projeto-para-socorrer-cachorros-e-gatos-em-sao-paulo-custara-r-3-milhoes.shtml

Resta torcer para que o projeto se torne realidade e se estenda às outras cidades. A luta pelos direitos dos animais SEMPRE vale a pena!

Abraços e um ótimo domingo a todos,

Anna Motzko

 

FIM DA CRUELDADE E EXPLORAÇÃO ANIMAL – o dia mundial.

Repassando, como sempre, ações bonitas e, acima de tudo, necessárias.

EVENTO DE CONSCIENTIZAÇÃO MARCA DIA MUNDIAL PELO FIM DA EXPLORAÇÃO ANIMAL

De coleira cor-de-rosa com aplicações de flores em crochê, saia xadrez, brincos adesivos espalhados pelas orelhas e tipoia com estampa de oncinha, a cadela vira-lata Maia, que se movia com a ajuda de uma cadeira de rodas, atraiu olhares e arrancou sorrisos de quem passou na tarde de hoje (22) pela Fonte Luminosa da Torre de TV, na região central de Brasília.

Maia, uma cadelinha vitoriosa.

Na segunda edição do Dia Mundial pelo Fim da Crueldade e Exploração Animal, organizado na capital federal pela rede de ativistas Libertação Animal Brasília, Maia foi um dos exemplos de casos de crueldades contra os animais.

Segundo a fisioterapeuta Catiucia Ferro, que adotou a cadela há cerca de um ano, Maia foi atropelada intencionalmente em um condomínio residencial na cidade satélite de Sobradinho. Ela teve fratura total da coluna, foi submetida a uma cirurgia, mas perdeu a sensibilidade em parte do corpo e não consegue mover as patas traseiras. Apesar de sua condição física, a cadela é ativa e feliz e é exemplo de superação.

“A maior lição que ela nos traz é a superação, que a gente tem que viver feliz independente da nossa condição física. Toda vez que me vejo triste, olho pra ela e o ânimo volta”, disse Catiucia.

Para evitar esse e outros tipo de violência e maus-tratos contra animais, foram distribuídos, durante o evento, folhetos orientando a população a contribuir para o bem-estar dos bichos.

A representante no Brasil da organização Worldwide Events to End Animal Cruelty (Weeac), responsável pela organização mundial do evento, Patrícia El-moor, destacou que entre as práticas que o grupo deseja abolir estão o uso de animais em experiências científicas; em entretenimento, como circos, touradas e rodeios; para fabricação de roupas e para consumo humano. Ela enfatizou que a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) estabelece a detenção e multa para quem “cometer ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”.

Para estimular novos hábitos, o grupo também montou no local do evento uma banca com alimentos preparados sem qualquer produto de origem animal. Entre os itens oferecidos gratuitamente ao público para degustação, estão canjica de leite de soja; pão sem queijo, feito com polvilho e mandioquinha; coxinha com proteína de soja; e bolos sem ovos e sem leite.

Quem passar pela Fonte Luminosa da Torre de TV também receberá um guia com uma lista de estabelecimentos que oferecem comida vegana, sem produtos de origem animal.

“Nós gostaríamos que todas essas práticas fossem abolidas por completo, mas acreditamos que é por meio de pequenas atitudes e de mudanças gradativas de hábitos que vamos caminhando. Se houver pressão popular pelo fim dos maus-tratos e demanda por alimentos que não sejam provenientes de sofrimento dos animais, haverá mudanças”, ressaltou.

A representante da Weeac no Brasil destacou que uma sociedade em que as pessoas aprendem a respeitar os animais é mais sensível também ao sofrimento humano. Quando as pessoas se sensibilizam em relação ao outro ser, que não só o humano, elas estendem a compaixão a todos à sua volta e se respeitam muito mais. Além disso, há estudos que comprovam que diversos casos de assassinos em série começaram com maus-tratos a animais, disse.

A veterinária Paula Meschesi soube da mobilização por meio de divulgação em redes sociais e decidiu levar os três filhos, o mais novo de 2 meses de idade, para participar das atividades da campanha. “Eu faço questão de criá-los com a consciência da importância do respeito aos animais. Eles se tornam seres humanos melhores e desenvolvem personalidades mais dóceis e carinhosas”, comentou.

O Dia Mundial pelo Fim da Crueldade e Exploração Animal também está sendo marcado por atividades em 30 cidades brasileiras, entre elas Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Curitiba, e em diversos países, como Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Argentina.

Em todos os locais, o evento será encerrado com uma vigília silenciosa na noite de hoje. Cada cidade participante acenderá uma vela simbolizando o luto pelos bilhões de animais que são explorados e mortos para os mais variados interesses humanos.

Fonte: 12/09/22/interna_cidadesdf,323934/evento-de-conscientizacao-marca-dia-mundial-pelo-fim-da-exploracao-animal.shtml

Fiquem também com algumas fotos [retiradas da comunidade Cadeia Para Quem Maltrata Animais, do Facebook] do evento em outros Estados:

Em São Paulo.

No Rio de Janeiro.

Mais uma no Rio, enfatizando o consumo de animais na alimentação.

Em Ponta Grossa, PR.

A quem se interessar pela leitura da Lei de Crimes Ambientais, fica o link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm

A imagem a seguir fica para pura reflexão. Foca os cães, mas é o que nós, amantes dos animais, desejamos a todas as outras raças. O basta ao abuso deve ser já! 

Abraços,

Anna Motzko

 

 

Saiba mais sobre a CINOMOSE.

A doença não tem sido alvo de muito comentários ultimamente, mas o problema é que ela continua aí. Ela acontece e ela tem o poder de acabar com a vida dos nossos animais. A melhor coisa é estarmos informados para que possamos detectá-la e tratá-la o mais rápido possível.

Você conhece a cinomose?

A cinomose é uma doença que atinge os cachorros e é altamente contagiosa. É causada por um vírus, chegando a atingir vários órgãos e, consequentemente, levando seu melhor amigo à morte.

Qualquer cachorro, em qualquer idade, pode ser contaminado com cinomose de diferentes formas.

O vírus é transmitido entre um animal doente e outro susceptível. Alguns animais doentes podem estar assintomáticos (ou seja, estarem com a doença, mas não apresentarem seus sintomas) e passar a doença para outro sadio por meio de secreções (nasais, fezes etc).

Uma forma comum de contaminação ocorre em canis, onde os animais frequentam os mesmos locais e animais doentes podem ter contato com outros saudáveis ainda não vacinados. É muito importante isolar animais doentes para tratamento, ou ainda ter o cuidado de isolar animais que se tenha desconfiança de que possam estar incubando a doença e, mesmo ainda sem sintomas, servir de fonte de infecção para outros cachorros.

Fique alerta! Os primeiros sinais da cinomose são:

– febre

– apatia

– perda de apetite

– falta de coordenação

– vômito e diarréia

Diga NÃO à cinomose!

O tratamento, após diagnóstico de cinomose confirmado por exame de laboratório, pode ser bem difícil. O cachorro doente deve ser isolado para receber tratamento de apoio e antibióticos para auxiliar no combate a infecções secundárias. Por se tratar de um vírus, não há um medicamento específico para o tratamento da cinomose, o que torna sua cura mais difícil.

Filhotes não têm bom prognóstico de recuperação, com taxa de mortalidade bem alta. O tratamento de apoio é feito com a reposição de líquidos perdidos durante a doença, além de oferecer um ambiente limpo e com temperatura agradável. Se a cinomose evoluir para os estágios finais sem que o cachorro receba tratamento, pode haver danos neurológicos difíceis de tratar, sendo que o veterinário pode sugerir o sacrifício do animal.

Lembre-se de que cachorros que estejam em tratamento podem continuar a espalhar o vírus por várias semanas, mesmo depois do desaparecimento dos sintomas.

A prevenção é a melhor arma contra este mal em cachorros. Infelizmente, no Brasil apenas 1 em cada 5 cães é vacinado contra a cinomose anualmente. Porém, programas de vacinação em massa podem reduzir drasticamente a incidência dessa doença.

  • As vacinas contra a cinomose em cachorros não são todas iguais. As mais tradicionais do mercado contêm vírus vivo atenuado (popularmente conhecidas por vacinas V10) e são utilizadas há muitos anos. Recentemente foram desenvolvidas tecnologias mais modernas para a imunização de seres humanos e animais com a máxima segurança e potência: as vacinas recombinantes.
  • Os filhotes de cachorros já podem ser vacinados a partir de 6 semanas de vida, mas essa indicação deve ser feita pelo médico veterinário.
  • Normalmente, os filhotes de cachorros recebem pelo menos 3 doses de vacina nesta primeira fase da vida (processo conhecido como primovacinação). Os animais são submetidos a um exame clínico pelo médico veterinário a cada vez que forem vacinados, com o objetivo de determinar se estão em condições de saúde de receber a vacina.
  • Cachorros doentes, subnutridos ou parasitados devem ser tratados antes de receber a vacina.
  • É recomendado que os filhotes permaneçam protegidos, longe da rua e do contato com animais de histórico vacinal desconhecido, ou mesmo não vacinados.
  • Os cachorros devem ser revacinados uma vez ao ano contra a cinomose.

A cinomose é considerada a maior ameaça à saúde dos cachorros depois da raiva. Apesar de ser uma doença grave, nem todos os animais infectados morrem. Estima-se que a taxa de mortalidade varie de 25 a 75% entre os animais doentes. Assim sendo, a resposta do animal à doença parece ser um fator muito importante na sua recuperação.

Porém, apesar desse prognóstico ruim, um cachorro com cinomose precisa receber tratamento médico o mais rápido possível, pois quanto mais cedo o veterinário puder medicá-lo, melhores as chances de sobrevivência.

Vale lembrar que o tratamento da cinomose é sintomático, ou seja, procura diminuir a intensidade dos sintomas decorrentes da doença, enquanto o organismo do animal tenta se recuperar. Tratar dos sintomas é fundamental para diminuir o sofrimento do seu cachorro ou mesmo permitir que ele tenha forças para se recuperar. Mesmo depois de curados muitos cães podem manifestar sintomas neurológicos por toda a vida.

  • Procure o veterinário assim que perceber qualquer possível sintoma de cinomose.
  • Procure deixar seu cachorro doente num ambiente bem confortável e longe de outros animais. Deixe-o ficar em um local tranquilo, com temperatura agradável e sem corrente de ar.
  • Mantenha seu cachorro asseado. Limpe as secreções dos olhos e do nariz, não deixando formar crostas. Uma boa opção para a limpeza é o uso de algodão embebido em soro fisiológico ou mesmo água filtrada.
  • Deixe água limpa à disposição. A ingestão de líquido é necessária para evitar a desidratação. Cachorros gravemente desidratados podem precisar receber tratamento em hospital veterinário. Se ele precisar de ajuda para beber água, uma seringa pode ser muito útil para a administração. Mas atenção: sempre em pequenos goles e pelo canto da boca, para ele não se afogar!
  • Ofereça-lhe uma dieta leve, conforme recomendação do veterinário. O veterinário também pode receitar medicamentos para tratar sintomas de vômitos e diarréia, caso ocorram.
  • Dê-lhe os medicamentos receitados pelo veterinário. A medicação geralmente inclui antibióticos para tratar ou prevenir infecção e anticonvulsivos e sedativos para controlar ataques, além dos remédios que podem ser receitados para diarréia e vômito.

Para mais informações a respeito da cinomose, acesse o site Cinomose Aqui Não! http://www.cinomose.com.br/cinomose_aquinao/

Abraços,

Anna Motzko

Crueldade com os animais: NÃO DÁ PRA TOLERAR!

Hoje eu estou revoltada. Revoltada por pertencer à mesma raça que tantos monstros que andam soltos por aí.

Se tem uma coisa que eu definitivamente não tolero são maus tratos aos animais. E hoje, durante uma campanha de vacinação, aqui pertinho de casa, presenciei uma maldade sem tamanho.

Um homem levava uma cadela amarrada em uma corda [já que aquilo JAMAIS poderia ser chamado de coleira!], e ela aparentava estar doente. Sua barriguinha quase se arrastava no chão, e ela andava com muita dificuldade. Ainda assim, o ilustríssimo dono a puxava, debaixo de um baita sol. Não contente, após a cadelinha ser vacinada, ele tirou a corda que a prendia, a deixou para trás e foi embora. ISSO! Foi embora, deixando a pobrezinha para trás. A impressão é de que ela sabia o caminho para casa. Mas, ao ser solta pelo dono, ela pareceu tão, mas tão desesperada! E o homem já estava longe, enquanto ela, a duros passos, o tentava alcançar.

Agora, numa boa: pra quê? Me diz pra quê?

O que um animal te traz?

O meu me traz alegria. O meu é o meu companheiro de todas as horas. Eu jamais acreditarei nessa história de que são irracionais. Pára com isso! Mente antiquada! Se um animal não te traz tudo isso, por que mantê-lo dessa forma? Por que maltratá-lo? Isso te dá prazer? Então você merece A MORTE!

Eu fico indignada quando sou obrigada a vivenciar esse tipo de cena. E não é a primeira vez. Já tive que ver um senhor, com quatro filhotes na mão, os jogando de um lado a outro de um muro. Senhor! Qual é a diferença, me diz, entre um filhote e um bebê? Qual é o cuidado diferente que você deve ter?

Ser humano, ser egoísta, ser do mal.

Graças a Deus existem as santas-exceções. Ainda existem aqueles que os abrigam em sua própria casa, que dão carinho, amor, atenção. Ainda existem aqueles que adotam com consciência.

É difícil entender que eles não são peças de roupas, utensílios domésticos ou qualquer outra coisa que você enjoa e joga fora? Eles não são diferentes de nós, custa entender?

Eu precisava desabafar. Precisava porque, infelizmente, por morar em um apartamento pequeno, não tenho condições de colocá-los aqui, comigo, e dar a eles tudo aquilo que realmente merecem. Pelo muito que fazem por nós, já está na hora de haver o merecido reconhecimento.

ABANDONO, MAUS TRATOS e COMÉRCIO DE ANIMAIS: BASTA! 

 

Animais: será esse um pequeno passo ao fim da distinção entre nós e vocês?

De todo o meu coração, peço a Deus e ao mundo para que SIM. Não tenho provas de que todos os animais possuem consciência de si mesmo, ou sentimentos, ou o que seja. Mas de uma coisa eu estou certa: tudo é VIDA. Por que tirar vidas? Por que você é preso, acusado, condenado e tudo o mais por roubar um pacote de bolachas, mas não te acontece absolutamente nada por brincar com um ser que tem um coração que bate, que se comunica à maneira dele com seus semelhantes, que não te faz mal algum?

Eu divulgo campanhas. É a maneira que eu encontro de ajudar na maioria das vezes. Não me importo em divulgar nas redes sociais imagens horrorosas das desgraças cometidas por seres “humanos” aos animais. O ser humano é, sim, uma coisa ruim. Ele age por ignorância, e por uma ignorância consciente. Somente sendo chocado pelas imagens é que, muitas vezes, um pingo de consciência é arrancado.

Fico emocionada com notícias como a que eu li hoje, na Veja Online. Me parece um pequeno passo diante desse mundo que insiste em não girar quando se trata de discutir os direitos dos animais. Divido-a com vocês.

QUASE HUMANOS – Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais.

Por Marco Túlio Pires, em Veja Online, de 16/07/2012

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Parece que não há sentimento?

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

Será que a nossa raça é a HUMANA?

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal – Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral – O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

Abraços,

Anna Motzko