ENEM aos 70 – a prova de que nunca é tarde para realizar sonhos

AOS 70 ANOS, BORRACHEIRO FAZ PROVA DO ENEM PELA 3ª VEZ, EM RO

Portal G1, 23/10/2012

No estabelecimento apertado, rodeado de pneus por todos os lados, Marcelino Miranda da Costa ocupa seu tempo com os estudos. Aos 70 anos, o borracheiro concluiu o ensino médio e desde 2009 tenta ingressar em uma universidade para cursar teologia, em Cacoal, RO.

Marcelino, que iniciou os estudos em 2000, há três anos conseguiu o diploma de conclusão do ensino médio. “Eu só estudei até a segunda série quando criança. Pois não tinha condições de continuar. Quando decidi começar a estudar, já morava aqui, e preferi começar desde o comecinho mesmo. Fazer todas as séries”, lembra Costa.

Sobre a idade, ele brinca. “Muitos amigos diziam que eu não conseguiria aprender, ‘que papagaio velho não aprenderia mais a falar’, mas eu provei a eles o contrário”, conta, feliz, o idoso, que concluiu os estudos no Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) em 2010.

Ao G1, Costa disse que tenta uma vaga para o curso de teologia há três anos. “Esse já é o terceiro Enem que eu faço. Ano passado eu fiz e tinha chances de entrar em uma faculdade particular da cidade, mas o curso de teologia não completou turma. Vou tentar esse ano novamente”, afirma.

De acordo com a filha do casal, a professora de ensino infantil Magna Miranda da Costa, o fato do pai estudar é um progresso. “Nós da família temos orgulho dele. É empenhado, gosta de ler e, se deixar, ele passa 24 horas estudando e se informando”, conta a professora.

Sempre muito esforçado, o histórico escolar de Marcelino o deixa orgulhoso. “A maioria das notas é de 8,5 para cima. Os professores perguntavam como eu conseguia não faltar nenhum dia, e eu respondia a eles com uma pergunta: ‘vou faltar por quê, se eu gosto de estudar’”, lembra o homem.

Fonte: http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2012/10/aos-70-anos-borracheiro-realiza-prova-do-enem-pela-terceira-vez-em-ro.html

Aos que prestarão o ENEM na próxima semana e não estão muito esperançosos, fica aí um belo exemplo de persistência e confiança.

Anna Motzko

Um feliz dia, PROFESSOR!

Eu desejo, de todo o meu coração, um feliz dia aos corajosos e corajosas nesse mundão da educação. Parabéns, professores e professoras!

Professor é aquele que ensina, e não aquele que educa. Fica a dica!

Um mega agradecimento aos meus, que têm [ou tiveram] uma participação imensa e inexplicável na formação do meu ser.

Como me nomeou uma amiga, sou uma ‘professora não praticamente’, mas com o amor pelo ensinar dentro de mim.

Professor, todo dia é o seu dia!

Anna Motzko

 

Lecionar no Brasil – a opção dos sem-opções.

Com o dia do professor quase aí, ler uma coluna como essa é desesperador e,  mesmo tempo, confortante. Confortante por quê? Porque EU tenho essa opinião e é bom saber que não sou a única. É bom mesmo saber que outras pessoas têm consciência de que a coisa não tá andando como deveria. Desesperador? Sim, claro. Pretendo ter filhos e gostaria muito que tivessem educação de qualidade, como EU tive. Estudei em escolas públicas estaduais e me sinto ‘bem formada’. Meus professores eram exemplos a serem seguidos – com algumas exceções, como há em todos os casos. Foram eles que me levaram ao estudo durante três anos em um curso de licenciatura em Letras. Eu ainda acho que lecionar é trabalho que deve ser super mega exaltado. O que seremos em os professores? Mas, vamos combinar.. Qual é o incentivo que se tem para levar em frente salas de aula lotadérrimas, com um salário nada digno do esforço e dedicação e, além disso, ter que conciliar a tarefa ensinar + EDUCAR?

A infeliz realidade.

Assunto que dá pano pra manga. Ficamos na esperança de que ainda venham seres dispostos a enfrentar tudo isso e lutar pela classe.

ENCRENCA EDUCACIONAL, por Hélio Schwartsman

SÃO PAULO – Pesquisa da Faculdade de Educação da USP mostrou que quase metade dos alunos que ingressam nos cursos de licenciatura em física e matemática da universidade não estão dispostos a tornar-se professores. O detalhe inquietante é que licenciaturas foram criadas exatamente para formar docentes.

A dificuldade é que, se os estudantes não querem virar professores, fica difícil conseguir bons profissionais e, sem eles, o sistema de ensino brasileiro seguirá colecionando fracassos.

Embora exista muita polêmica sobre o que funciona ou não em educação, não há dúvida de que a qualidade do professor é fundamental. Trabalho de 2007 da consultoria McKinsey comparou sistemas de educação de todo o mundo e concluiu que o elemento de maior destaque nas redes de excelência era a capacidade de “escolher as melhores pessoas para se tornarem professores”.

Na Coreia do Sul, por exemplo, os futuros mestres são recrutados entre os 5% de alunos com notas mais altas no equivalente ao vestibular. Na Finlândia, os docentes são selecionados entre os “top ten”. Por aqui, segundo levantamento de 2008 da Fundação Lemann, apenas 5% dos melhores alunos do ensino médio pensam em abraçar o magistério. Ser professor no Brasil se tornou a opção dos que não têm melhores opções.

Resolver essa encrenca é o desafio. Salários são por certo uma parte importante do problema, mas outros elementos, como estabilidade na carreira e prestígio social, também influem. O tratamento quase reverencial que a sociedade coreana dispensa a seus mestres ajuda a explicar o sucesso educacional do país.

Essas considerações tornam difícil a situação do Brasil, que precisa transitar de um modelo em que os piores alunos viram docentes para um que prime pela excelência. E, como o deficit de professores já é enorme (200 mil só na área de exatas), teremos de achar um jeito de trocar o pneu com o carro em movimento.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/1168654-encrenca-educacional.shtml

Anna Motzko