O Massacre no Carandiru: 20 anos depois…

VINTE ANOS DEPOIS, MASSACRE NO CARANDIRU AINDA AGUARDA JULGAMENTO

Da BBC Brasil, 02 de Outubro de 2012.

A ação policial que matou 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo em 1992 – episódio conhecido como “massacre do Carandiru” – completa 20 anos nesta terça-feira sem que nenhum de seus responsáveis tenha sido punido.

Apenas na semana passada, poucos dias antes do 20º aniversário da carnificina, a Justiça de São Paulo decidiu agir.

Foi marcado para 28 de janeiro de 2013 o julgamento de 28 dos mais de 100 policiais militares acusados por homicídios e lesões corporais no episódio.

Até então, o comandante da operação, o coronel Ubiratã Guimarães, havia sido julgado e absolvido por ter agido no “estrito cumprimento do dever”. Ele foi assassinado em seu apartamento em 2006.

Contudo, a Justiça não autorizou a realização de exames de balística nas mais de 390 armas usadas pelos policiais no caso para serem usados como prova no julgamento, segundo a advogada Ieda Ribeiro de Souza, defensora de 79 policiais acusados.

Isso dificultará o trabalho da promotoria para ligar os assassinatos a policiais específicos. O juiz do caso entendeu que a realização dos exames não seria possível por questões técnicas.

O aniversário do massacre será lembrado em um ato ecumênico organizado por entidades de defesa dos direitos humanos às 15h desta terça-feira em frente à catedral da Sé, no centro de São Paulo.

A Casa de Detenção de São Paulo foi implodida em 2002, dando lugar a um parque público.

Parque da Juventude 🙂

Banho de sangue

O massacre do Carandiru começou na tarde de 2 de outubro de 1992, quando dois detentos provocaram uma briga no pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo.

O maior massacre já ocorrido no sistema penitenciário brasileiro

O desentendimento rapidamente se transformou em tumulto e depois rebelião.

Temendo que o motim se alastrasse para o resto do complexo, o diretor do presídio, José Ismael Pedrosa, pediu ajuda da Polícia Militar e o local foi cercado por uma tropa de choque.

No fim da tarde, Guimarães foi autorizado a invadir o local e liderou uma tropa de policiais que usou munição letal, facas, cães e bombas para conter a rebelião.

“Não pensamos que iam entrar e matar todo mundo, até porque nem todos os presos tinham aderido à rebelião”, disse à BBC Brasil o pastor evangélico Jacy de Oliveira, de 47 anos, que, na época, cumpria pena no Carandiru por roubo a uma mansão.

“Os policiais começaram a matar todos que estavam pela frente. Atiravam nas pessoas e depois as jogavam no poço do elevador. Muitos também morreram atacados por cachorros. Os cães foram soltos na barbearia, para onde estavam sendo levados os feridos”, afirmou.

Oliveira afirmou que os policiais fizeram uma espécie de corredor humano para retirar os detentos dos cinco andares do edifício.

“Eu estava no quinto andar. As pessoas passavam entre os policiais. Quem olhava para eles era morto. Os presos tinham espalhado óleo nas escadas. Quem escorregava e caía durante a descida também era assassinado”, afirmou o ex-detento.

Oliveira, que há 15 anos se tornou pastor, atribui o fato de ter sido espancado, porém não assassinado, a um milagre. “Deus não queria que eu morresse porque sabia que eu me entregaria a ele”, disse.

Ele afirmou que, à época, cumpria uma sentença injusta e até hoje aguarda indenização do Estado.

Defesa

Souza, a advogada dos policiais, afirma que alguns deles admitem ter disparado munição real contra os presos. Contudo, sua defesa deve se basear no fato de que eles cumpriam ordens ao invadir o presídio – agindo assim de forma supostamente legítima.

Também servirá de argumento para a defesa a não realização da perícia nas armas dos policiais – o que em tese impede que a Justiça ligue tecnicamente cada assassinato a seu autor.

“Devo pedir a absolvição deles por falta de provas”, afirmou a advogada.

Ela disse ter sido favorável à realização dos exames de balística e afirmou que as ações da defesa não contribuíram para a lentidão do processo.

O padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, afirmou estar indignado com a não realização da perícia e a demora para a marcação do julgamento.

“Isso é resultado da falta de interesse do Estado e do Judiciário”, afirmou.

Silveira disse esperar que o julgamento resulte no afastamento dos cargos públicos dos envolvidos no massacre e facilite o pagamento de indenizações para as famílias das vítimas.

“Mandar todos eles para a cadeia não resolveria o problema”, disse.

O caso será julgado no Tribunal do Júri e, mesmo em caso de eventual condenação, a defesa dos policiais pode recorrer.

Para o religioso, o aniversário do massacre também servirá para uma reflexão sobre o problema da superlotação do sistema prisional brasileiro. Atualmente, o país tem mais de 500 mil presos – a quarta maior população carcerária do mundo – e um deficit de quase 200 mil vagas.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121001_massacre_aniversario_lk.shtml

Anna Motzko

Massacre na pré-estréia

POLÍCIA DOS EUA CONFIRMA 12 MORTOS EM TIROTEIO DURANTE PRÉ-ESTREIA DE BATMAN

Correio Braziliense, 20/07/2012

O atirador que matou 12 pessoas e feriu ao menos 40 na madrugada desta sexta-feira (20/7) durante a estreia do novo filme do Batman em um cinema na periferia de Denver, Colorado, foi preso quando ainda estava no estacionamento do shopping e identificado como James Holmes, de 24 anos.

A nova tragédia que abalou os Estados Unidos aconteceu a poucos quilômetros do local do massacre de Columbine, ocorrido em 1999. Segundo as primeiras impressões do FBI, Holmes, originário de Aurora, mesmo local do crime, não teria vínculos com células terroristas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ataque provocou pânico entre as centenas de espectadores que foram ao shopping local assistir à pré-estreia, realizada no Century 16 MovieTheater, de “Batman – O cavaleiro das trevas ressurge”, o último filme da trilogia e que era esperado ansiosamente por milhares de fãs.

Muitos cinemas do país organizaram sessões especiais às 0h00 desta sexta-feira para a estreia do filme, que deve arrecadar milhões de dólares em receitas. Segundo Dan Oates, chefe da polícia de Aurora, testemunhas indicaram que o atirador lançou o que poderia ser uma bomba de gás lacrimogêneo ou de fumaça. “Eles escutaram um assobio, depois uma espécie de gás surgiu e o atirador abriu fogo”, explicou.

De acordo com as primeiras informações da imprensa, dois atiradores teriam agido em duas salas de cinema, mas Oates negou a afirmação e disse não “haver provas” da presença de uma segunda pessoa.

Um porta-voz da polícia, Frank Fania, declarou à rede de televisão CNN que o atirador utilizava um colete à prova de balas e estava munido com um rifle e duas pistolas. Nas primeiras revistas do apartamento do atirador, a polícia localizou equipamentos sofisticados, basicamente itens “inflamáveis ou explosivos”.

O ataque foi iniciado durante uma cena de tiroteio do filme, o que aumentou a confusão e o pânico geral, de acordo com testemunhas entrevistadas pela imprensa. “Nós continuamos a assistir o filme por um momento”, disse uma testemunha, identificada apenas como Jack. Em seguida, após se darem conta que os tiros eram reais, “todos entraram em pânico”.

As pessoas começaram a correr em direção a saída do cinema enquanto os policiais chegavam ao local e mandavam todos se abaixar, segundo uma outra testemunha, Banjamin Fernandez, de 30 anos, citado pelo Denver Post.

A presença de muitos fãs fantasiados pode ter facilitado a fuga do atirador para o estacionamento em meio à confusão, e algumas informações indicam que ele também utilizava uma máscara de gás.

Reagindo à tragédia, o presidente americano Barack Obama declarou estar chocado com o incidente, e prometeu dar apoio às vítimas e punir os culpados em um comunicado.

Em suas declarações, que substituíram um discurso de campanha previsto originalmente em Fort Myers, Flórida (sudeste), Obama afirmou que o tiroteio “cruel e sem sentido” do Colorado faz lembrar “o que nos une como americanos”, apelando para “um dia de oração e reflexão”. “Tanta violência, tanto mal, é sem sentido”, ressaltou Obama. “Mas, enquanto nunca saberemos o que leva alguém tirar a vida de outras pessoas, sabemos o que faz a vida valer a pena”, acrescentou a centenas de pessoas.

Antes de concluir seu discurso de sete minutos e fazer um minuto de silêncio em memória das vítimas, Obama disse que esta sexta-feira deveria ser um “dia de oração e reflexão”, e não de política.

As autoridades americanas não acreditam que o tiroteio esteja relacionado com o terrorismo. “A investigação está em andamento e o que podemos dizer é que não acreditamos, neste ponto, que exista uma aparente conexão com o terrorismo”, declarou Jay Carney, porta-voz do presidente Obama.

Carney enfatizou que equipes do FBI e da agência governamental especializada no controle de armas, a ATF, se encontram no local da tragédia avaliando os fatos.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2012/07/20/interna_mundo,312916/policia-dos-eua-confirma-12-mortos-em-tiroteio-durante-estreia-de-batman.shtml

Anna Motzko