Pesquisas apontam que perda de memória por idade pode ser reversível

PERDA DE MEMÓRIA POR IDADE PODE SER REVERSÍVEL, MOSTRA NOBEL

Do UOL, 28/08/2013

A deficiência de uma proteína no hipocampo cerebral é a principal causa para a falta de memória no envelhecimento, mas esse processo associado à idade pode ser reversível, diferente do que acontece com o alzheimer, aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) no periódico médico da Associação Americana de Ciência, a Science Translational Medicine.

O novo estudo foi liderado por um dos maiores especialistas em memória do mundo, o austríaco Eric Kandel, que trabalha na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O neurocientista foi premiado em 2000, junto com Arvid Carlsson e Paul Greengard, com um Nobel de Fisiologia e Medicina por suas pesquisas em lesmas-do-mar que identificaram os genes e as proteínas que tornam possíveis as lembranças de curto e longo prazo nos neurônios.

“Nossa pesquisa fornece sólidas evidências de que a perda de memória associada à idade é uma síndrome com causas e consequências independentes do Mal de Alzheimer“, afirma Kandel na divulgação da Universidade. “Os resultados terão impacto na saúde pública.”

Para diferenciar os processos de perda de memória desencadeados pelo envelhecimento dos iniciados pelo Mal de Alzheimer, o grupo avaliou células cerebrais em estado de pós-morte retiradas de oito adultos que tinham entre 33 e 88 anos.

Isso lhes permitiu isolar as regiões do hipocampo, que se ocupam da aprendizagem e da memória no cérebro, prejudicadas por cada um dos dois tipos de perda de memória, destacando o papel da proteína RbAp48. Eles apontaram que seu declínio no cérebro está associado a uma menor capacidade do órgão em lembrar de fatos.

Processo reversível

Depois de identificar a ação da proteína nas amostras de células cerebrais humanas, os neurocientistas fizeram alterações genéticas da RbAp48 para saber como ela se comportava nos cérebros de camundongos jovens em comparação aos dos animais mais velhos.

Nesse estudo adicional, o grupo constatou nas espécimes mais jovens a mesma perda de memória das cobaias mais velhas, causada “naturalmente” pelo envelhecimento. Porém, ao restaurar os níveis da proteína, a memória dos camundongos jovens voltava à capacidade normal.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores fizeram transferência genética viral nos cérebros de camundongos velhos, aumentando a presença da RbAp48. Eles observaram uma melhora na capacidade de memória com a proteína, com índices comparáveis aos notados em camundongos jovens.

“O fato de termos conseguido reverter a perda de memória associada ao envelhecimento nos camundongos é encorajador”, diz Kandel.

“Isso mostra que a RbAp48 tem um papel fundamental nesse processo, e que a perda de memória associada à idade se dá numa mudança no funcionamento dos neurônios, diferenciando esse tipo de perda de memória da influenciada pelo Mal de Alzheimer, que causa perda significativa de neurônios no cérebro.

O artigo científico ressalta, no entanto, que ainda não é possível afirmar que a técnica se aplicaria a cérebros humanos.

“Ainda não temos como afirmar que a técnica funcionaria em humanos, mas o ponto é que, para desenvolver intervenções eficazes, primeiramente temos de achar o alvo correto. Agora nós já temos esse alvo e podemos avaliar terapias que podem funcionar no combate à perda de memória, sejam elas farmacêuticas, nutracêuticas ou à base de exercícios físicos e cognitivos”, conclui Scott Small, coautor do estudo com ratos.

Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/08/28/falta-de-proteina-no-cerebro-afeta-perda-de-memoria-indica-nobel.htm#fotoNav=69

Anna Motzko

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Vírus da AIDS livra paciente de leucemia

MENINA ESTÁ HÁ UM ANO LIVRE DE LEUCEMIA DEVIDO AO TRATAMENTO COM VÍRUS DA AIDS

Por Igor Zahir, em Marie Claire, 25/07/2013

Até que ponto a ciência proporciona momentos de alegria e sensação de milagre na vida das pessoas? O caso de Emma Whitehead é uma boa resposta para esta questão. A menina, de 8 anos, foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda em 2010, submeteu-se a todos os tratamentos, quimioterapia, perdeu o cabelo e estava chegando ao estado terminal.

Os pais, já desesperados e procurando qualquer outra solução, resolveram tentar um tratamento polêmico: em abril de 2012, Emma se juntou a um grupo de 12 pessoas no Hospital Infantil da Filadélfia e teve o vírus da AIDS injetado em seu organismo.

As células T, que ajudam na produção de anticorpos no organismo, foram retiradas do corpo de Emma. Então foi injetado o vírus desativado de HIV, que, segundo os médicos, funcionam melhor com este tipo de célula. Após isso, as células T foram colocadas de volta no corpo da menina. O método é, inclusive, a esperança de substituir a necessidade de quimioterapia e transplantes de medula óssea algum dia.

Outra criança que participou do processo experimental melhorou, mas depois teve uma recaída. Em dois adultos, o tratamento não funcionou. Emma também teve reações agressivas: febre de 40,5 graus, ficou inconsciente e irreconhecível de tão inchada. Precisou respirar por aparelhos e quase morreu. Mas, de acordo com o Dr. Carl June, à frente das pesquisas na universidade americana, esses sintomas são a comprovação de que o tratamento funcionou.

‘Emma permanece saudável e não tem câncer 1 ano depois de ter recebido linfócitos T geneticamente modificados, que permitiram se concentrar em um objetivo concreto presente neste tipo de leucemia’, disse o médico através de comunicado oficial do centro de estudos.

“Isso se chama Síndrome da Liberação de Citocinas e se refere aos produtos químicos que são expelidos das células do sistema imunológico quando ativadas. O que gera os problemas e pode afetar os pulmões e causar quedas perigosas na pressão arterial. Foi isso que fez a família de Emma achar que ela estava morrendo”, explicou June ao jornal “New York Times”.

Só pode-se dizer que uma pessoa sobrevive ao câncer quando vive há cinco anos. Mas Emma, livre há um ano, tenta levar uma vida normal, vai a escola e já sai para brincar com os amigos. Na página do Facebook “Prayers for Emily (Emma) Whitehead” é possível acompanhar os passos da menina.

Emma, durante o tratamento (Imagem de sua página no Facebook)

Emma, durante o tratamento (Imagem de sua página no Facebook)

Ainda com a doença (Imagem do Facebook)

Ainda com a doença (Imagem do Facebook)

Após 1 ano livre da leucemia (Foto do Facebook)

Após 1 ano livre da leucemia (Foto do Facebook)

Anna Motzko

Da série Ciência: a criação de células-tronco por BACTÉRIAS!

CIENTISTAS FLAGRAM ‘ALQUIMIA’ DE BACTÉRIA DA HANSENÍASE

Da BBC News, 18/01/2013

Pela primeira vez, um grupo de pesquisadores britânicos flagrou o momento em que uma bactéria infecciosa dá início à uma espécie de “alquimia biológica”, transformando parte do corpo do organismo hospedeiro em outra parte que atenda melhor suas necessidades.

O estudo, publicado na revista científica Cell e liderado por uma equipe de cientistas de Edimburgo, na Escócia, mostrou uma bactéria causadora de hanseníase transformando neurônios em células-tronco e musculares.

Agente causador da hanseníase

Agente causador da hanseníase

Os autores dizem que a técnica “inteligente e sofisticada” pode agilizar a pesquisa sobre terapias e células-tronco.

Os especialistas descreveram a descoberta como “surpreendente”.

Cientistas já tinham conseguido realizar uma “alquimia biológica” em laboratório antes, transformando células da pele em células-tronco, que têm o poder de se transformar em qualquer outra parte do corpo, como células do coração ou cérebro.

Um dos pesquisadores, o professor Anura Rambukkana, disse: “As células do nosso corpo podem ser manipuladas. Por que as bactérias não se aproveitariam disso?”

Mestres da manipulação

Para conduzir o experimento, os cientistas usaram camundongos que tiveram neurônios infectados com a bactéria da hanseníase.

Após algumas semanas, a bactéria começou a transformar os nervos de acordo com a sua própria conveniência. A composição das células mudou e elas se tornaram células-tronco.

Mas, ao contrário dos neurônios, que são estáticos, essas células cresceram e se espalharam pelo corpo.

“Trata-se de uma célula-tronco que é gerada pelo tecido do próprio corpo para que o sistema imunológico não a reconheça e ela pode ser usada sem ser atacada”, disse Rambukkana.

Esse tipo de célula também pode se alojar dentro dos músculos e se transformar em células musculares.

“No momento em que vimos isso acontecer, achamos algo bem surpreendente”, acrescentou o pesquisador.

“É a primeira vez que constatamos ao vivo uma bactéria infecciosa criando células-tronco.”

Alquimia

Rambukkana espera que as descobertas possam aumentar o conhecimento sobre a hanseníase e leve a novos caminhos de desenvolvimento de células-tronco – que se tornaram a “menina dos olhos” da medicina por seu potencial de se transformar em outras células e, assim, ajudar no tratamento de várias doenças.

O pesquisador também acredita que é “provável” que outras espécies de bactéria possam ter a mesma habilidade de reprogramar o seu hospedeiro.

Segundo o professor Chris Mason, especialista em pesquisa de células-tronco na Universidade College London, no Reino Unido, “a habilidade da bactéria de converter um tipo de célula de um mamífero em outra é “uma verdadeira alquimia” da natureza, só que em grande escala”.

“Embora essa descoberta surpreendente tenha sido baseada em um experimento com um rato, ela destaca a extraordinária complexidade das interações entre mamíferos e bactérias bem como a engenhosidade dos cientistas para descobrir mecanismos da doença que, uma década atrás, teria sido algo restrito à ficção científica”, disse Mason.

“O próximo passo essencial é traduzir essa parte valiosa de conhecimento em benefícios tangíveis para os pacientes. Mas esse processo pode levar uma década antes de sua relevância para a medicina clínica ser totalmente compreendida”, acrescentou.

Para Rob Buckle, diretor de medicina regenerativa do Medical Research Council, “essa descoberta é importante não só para a nossa compreensão e tratamento da doença bacteriana, mas para a medicina regenerativa, que vem evoluindo rapidamente nos últimos anos.”

Anna Motzko

Sobre pesquisas – Tratamento da esquizofrenia

CIENTISTAS ESTUDAM USO DE SUBSTÂNCIA PARA TRATAR ESQUIZOFRENIA

Por Terra, 24/12/2012

Um grupo de cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto investiga o uso de canabidiol contra a esquizofrenia. Essa doença, que distancia o paciente da realidade, tem as causas desconhecidas pelos cientistas, o que a torna, na visão da maioria dos médicos, uma patologia de difícil tratamento. Canabidiol é considerada um canabinóide, ou seja, faz parte dos 80 componentes presentes na planta Cannabis sativa (maconha). No entanto, diferente do canabinóide Delta 9 – Tetrahidrocanabinol (THC), que é o responsável pelos efeitos típicos da planta – alucinógenos e estimulantes – o canabidiol não produz essas sensações.

De acordo com Antonio Waldo Zuardi, professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão da Universidade de São Paulo (USP), o canabidiol foi usado em diversos estudos com animais e humanos, os quais sugeriram que a substância pode atenuar sintomas psicóticos. Zuardi, que é coordenador da pesquisa desenvolvida pelo seu grupo, conta que começou a estudar a substância em 1976, durante o doutorado que fez na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Desde então, essas pesquisas são feitas na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, onde estou desde 1982”, disse.

O estudioso explica que o canabidiol é alvo de pesquisas de muitos cientistas brasileiros e também do exterior. “Este ano, foi publicado um estudo realizado por um grupo de pesquisadores alemães, que mostra que o canabidiol diminuiu os sintomas de pacientes esquizofrênicos de forma semelhante a outro antipsicótico já conhecido”, disse.

Segundo o pesquisador, a substância tem a vantagem, em relação ao medicamento já existente, de apresentar baixa propensão a produzir efeitos colaterais indesejáveis. Além de apresentar sinais de eficácia na redução de sintomas psicóticos, a utilização do canabidiol é estudada em outros quadros, como transtornos de ansiedade, doença de Parkinson, sono, abstinência de drogas e como anti-inflamatório.

O pesquisador alerta, porém, que outros componentes da Cannabis sativa, como o THC, podem ser maléficos. “Eles podem produzir sintomas psicóticos em indivíduos saudáveis e agravar os sintomas da esquizofrenia”, explica Zuardi. Por isso, o THC é visto como um componente psicotomimético, ou seja, produz sintomas semelhantes aos observados nas psicoses. “O THC em doses elevadas produz esses sintomas, mas o mesmo não ocorre com o canabidiol. Por isso, ele é considerado não psicotomimético”, disse.

A combinação do canabidiol com o THC, explica Zuardi, é liberada em diversos países para uso em pacientes com esclerose múltipla, com a função de diminuir a espasticidade (distúrbio motor caracterizado pelo aumento do tônus muscular). Para as outras indicações, como a esquizofrenia, porém, o desenvolvimento de um medicamento necessita de mais estudos que comprovem os seus efeitos. “Embora animadoras, as evidências ainda são insuficientes para que o canabidiol possa ser utilizado na clínica. Para isso, serão necessários estudos com número muito maior de pacientes”, acrescenta.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/cientistas-estudam-uso-de-substancia-para-tratar-esquizofrenia,7c576d44edcbb310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Anna Motzko

Já existem cérebros FORA da nossa cabeça!

Aproveitando uma folguinha na semana de provas, quis compartilhar uma notícia bombástica pra Ciência e pra sociedade em geral. Aliás, acredito que a Ciência só não consegue reproduzir poucas coisas nesse mundo – e ainda é capaz de me provarem o contrário!

Sim, já existe o cérebro virtual, e seu funcionamento surpreende! Esperamos que experiências como essa, se voltadas ao bem da nossa saúde e ao aprimoramento e criação de novas técnicas, continuem acontecendo.

CÉREBRO VIRTUAL SIMULA COMPORTAMENTO E REALIZA TAREFAS COGNITIVAS

Por Fernando Moraes, em Folha de São Paulo Online, 04/12/2012

A busca para compreender o cérebro humano acaba de dar um passo importante. Um estudo publicado na revista americana “Science” apresentou o primeiro modelo computacional do cérebro capaz de simular comportamentos humanos complexos, como realizar somas e completar séries de números.

Até hoje, as simulações do cérebro se concentravam mais em replicar suas partes, conexões e organização, dando pouca atenção a comportamentos e funções.

“Todos sabem que o cérebro e o comportamento humano são complexos. Mas ninguém sabe como a atividade do cérebro gera toda a variedade de comportamentos observáveis”, explicou à Folha Chris Eliasmith, líder da pesquisa.

“Outros modelos do cérebro, apesar de complexos, não exibem nenhum comportamento. O nosso é o primeiro que não só é complexo como também produz comportamentos sofisticados.”

O modelo, produzido por cientistas da Universidade de Waterloo, no Canadá, e batizado de Spaun, busca simular o cérebro computacionalmente, mimetizando os detalhes fisiológicos de
cada neurônio, os impulsos elétricos que fluem entre eles e os neurotransmissores (os mensageiros químicos cerebrais).

Spaun é formado por 2,5 milhões de neurônios virtuais organizados em subsistemas conectados, comparáveis às diferentes áreas do cérebro. As tarefas são realizadas por um braço virtual, modelado por uma série de equações para simular massa, comprimento e resistência.

“Talvez nunca saibamos como o cérebro realmente funciona. O modelo proposto procura formular hipóteses sobre esse funcionamento fazendo a ligação entre o que acontece no nível molecular e a geração de comportamentos complexos”, diz Fábio Godinho, neurocirurgião e doutor pelo Instituto de Neurociências de Lyon.

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As tarefas variam de simples exercícios de percepção, como reconhecer uma letra, passando por exercícios de memória, como recordar sequências de números, até atividades cognitivas mais complexas, como adivinhar padrões numéricos que fazem parte de testes básicos de QI.

Spaun tem uma precisão quase humana em tais tarefas e reproduz alguns equívocos do nosso comportamento, como a tendência de se lembrar mais do primeiro e do último termo de uma série do que dos demais.

Eliasmith disse que a equipe de seu laboratório não se surpreendeu com o fato de o modelo conseguir realizar as tarefas propostas, “mas ficamos surpresos quando características sutis, como os erros cometidos por ele, foram as mesmas de seres humanos”.

“O trabalho é extraordinário”, diz Godinho. “Envolve conhecimentos de biologia, psicologia, neuroanatomia, neurofisiologia, matemática e computação.”

Apesar disso, Spaun não tem a capacidade de aprender. Sua arquitetura é suficientemente flexível para se adaptar a algumas situações, mas é incapaz de aprender tarefas completamente novas.

“É uma limitação importante. Todo o seu conhecimento é, por assim dizer, inato”, diz Godinho. “O modelo também é unissensorial, possui só a visão, quando o nosso cérebro é multissensorial.”

“Além disso, o modelo é puramente cognitivo, não possui circuitos ligados a emoções, que são importantes para gerar motivações.”

MODELO VAI TESTAR HIPÓTESES SOBRE CÉREBRO IDOSO

O modelo Spaun é uma importante plataforma de testes para hipóteses sobre como o cérebro funciona.

“Spaun nos ajudará a compreender melhor a relação entre mecanismos biológicos e comportamento. Isso pode ser importante para entender o que acontece quando o cérebro sofre lesões ou quando é influenciado por drogas”, disse Eliasmith.

“Se destruirmos algumas partes do modelo, poderemos ver como o comportamento falha nessa situação. Ou poderíamos mudar a forma como os neurotransmissores funcionam e ver como isso se relaciona com o comportamento”, acrescenta.

Os pesquisadores já submeteram para publicação um novo artigo no qual destroem os neurônios virtuais de Spaun na mesma taxa que afeta um cérebro idoso e observaram o mesmo declínio cognitivo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1195388-cerebro-virtual-simula-comportamento-e-realiza-tarefas-cognitivas.shtml

Abraços,

Anna Motzko

 

O sonho da maternidade X a ética na Genética

Como a maioria sabe, sou estudante de Biomedicina e me interesso muito por questões polêmicas na área da genética e reprodução humana. Ainda não sei ao certo se seguirei por essas áreas, pois tenho muitos questionamentos interiores a respeito.

A matéria que divido com vocês hoje fala sobre um caso de SELEÇÃO DE EMBRIÕES. Basicamente, trata-se de ESCOLHER o embrião que será implantado no útero materno, a fim de que, nesse caso específico, o futuro bebê não venha a desenvolver um muito-possível câncer.

Sei que é um assunto bastante complicado de se discutir – eu mesma fico confusa para expressar uma opinião. Existe o ponto alto, criticado por muitos, que é chamar esse método de ‘manipulação da obra de Deus’. Geneticistas são acusados de ‘brincar de ser Deus’. Pois é. Lendo a matéria – e sem querer defender geneticistas e quem quer que seja – vocês poderão observar um lado vantajoso (se é que eu posso usar esse adjetivo) desse método. Eu não desejo saber qual é a dor de uma mãe que perde um filho por causa de um câncer ou qualquer outra doença genética, mas imagino que seja terrível. A opção do casal a que a notícia se refere foi, justamente, para que não tivessem mais que passar pela dor da perda.

APÓS PERDER FILHO, CASAL SELECIONA EMBRIÃO ‘SEM RISCO’ GENÉTICO DE CÂNCER

Da BBC Brasil, 09/10/2012

Um casal britânico que perdeu um filho vítima de um tipo raro de câncer no cérebro, conseguiu ter um segundo filho saudável após passar por um tratamento de seleção de embriões.

O embrião selecionado e implantado no útero da mãe não tinha um gene responsável por aumentar exponencialmente o risco de câncer no filho.

Nicky e Neil Halford, ambos com 36 anos, tiveram um filho, Ben, que morreu aos cinco anos de idade depois de lutar durante três anos contra o câncer.

Nikky é portadora de um gene que aumenta a predisposição ao câncer, um problema conhecido como síndrome de Li-Fraumeni. Ela teve câncer de mama aos 21 anos.

Até o nascimento de Ben, o casal nem mesmo sabia da existência deste gene. Antes da gravidez, eles perguntaram a médicos quais as chances de a criança ter problemas como câncer, devido ao fato de Nicky ter sofrido da doença tão jovem. A resposta foi que as chances eram pequenas.

No entanto, o menino foi diagnosticado com câncer no cérebro quando tinha quase dois anos de idade.

CULPA

Depois do diagnóstico, Nicky Halford insistiram para que os médicos fizessem exames que descobriram que ela e o filho eram portadores do gene raro.

“Eu sabia que não poderia ser uma coincidência. Me senti tão culpada, eu me culpava (pela doença de Ben)”, afirmou Nicky.

Ben passou por três cirurgias e por tratamentos de radioterapia e de quimioterapia entre os dois e os cinco anos de idade.

Entre a segunda e a terceira cirurgia, quando o menino parecia ter melhorado, Neil e Nicky perguntaram se ele gostaria de ter um irmão ou uma irmã.

Ben disse que gostaria de ter um irmão e pediu que ele se chamasse Tom.

O casal se submeteu, então, a um tratamento de fertilização in vitro no qual os embriões são analisados e selecionados, mas, com a volta do câncer de Ben, os planos foram adiados.

O menino ainda passou por uma cirurgia, apresentou uma melhora, mas o câncer voltou e se espalhou pelo cérebro, tornando uma nova cirurgia impossível.

Ben morreu em outubro de 2010.

ÚNICA CHANCE

O casal esperou por um ano para iniciar o tratamento para ter o segundo filho.

O tratamento consiste em fazer exames nos embriões, gerados por fertilização in vitro, para detectar se algum deles tem o gene que afetou Ben.

Apenas dois embriões foram considerados apropriados para serem examinados, um deles tinha o gene e outro não tinha.

Este embrião saudável foi implantado em Nicky e ela conseguiu engravidar.

“Tínhamos apenas um embrião, então, foi mesmo uma única chance. (…) Quando descobri que estava grávida, nós dois choramos”, afirmou Nicky.

O filho foi batizado de Tom, como Ben havia pedido.

“Algumas pessoas são contra (este tipo de tratamento) pois elas dizem que a ciência não pode interferir na natureza. Nós queríamos dar (ao bebê) a melhor chance possível (…)”, disse Neil Halford

“Já ouvi falar de pessoas escolhendo o sexo (de um bebê), mas esta era uma questão de vida ou morte. Não poderíamos assistir a outra criança sofrendo como Ben sofreu.”

Graças ao tratamento, Tom, que está com oito semanas de idade, tem apenas 4% de risco de desenvolver câncer, um percentual muito inferior aos 50% de risco que teria caso tivesse herdado o gene que teria causado o câncer da mãe e do irmão falecido.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1166437-apos-perder-filho-casal-seleciona-embriao-sem-risco-genetico-de-cancer.shtml

Eu só desejo que, num futuro próximo, o sucesso de métodos como esse não se torne motivo para que o homem queira escolher a cor dos olhos, da pele e o tipo de cabelo. Que a Genética esteja aí para solucionar os problemas, e não para criar ainda mais.

Abraços,

Anna Motzko

 

DIA NACIONAL DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS – o que trava o processo

Ontem, 27 de setembro, foi comemorado o DIA NACIONAL DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS. Esse é um tema que causa muita polêmica aqui no Brasil. Acredito que seja porque os cidadãos ainda são poucos orientados a respeito. Fala-se muito sobre a doação de sangue, de medula óssea… Mas poderia se falar bem mais sobre a de órgãos.

Já parou pra pensar que a vida de MUITAS, mas MUITAS pessoas seria outra se conseguissem sair da fila de transplantes com um órgão útil a elas e totalmente inútil àquele que já se foi? Acho um gesto lindo alguém se propor a dar de si para salvar uma vida. Órgãos não são doados só após a morte, não. Você vive – e vive bem – com um único rim, por exemplo, enquanto outra pessoa, sem ele, não tem chance alguma.

Andei lendo algumas notícias sobre o assunto hoje. Acreditam que, além de toda a burocracia normalmente envolvida em um transplante de órgãos, um dos maiores entraves É A FAMÍLIA? Às vezes, pelo fato do familiar não ter deixado registrado em vida que tinha vontade de doar seus órgãos, a família barra o processo por não querer ir contra a possível vontade do falecido de manter seu corpo intacto. Pensem nisso! Alguém perde a chance de viver por isso!

Eu sei que é um assunto complicado de se discutir. Muita gente tem crenças e tal, e nem pensa nisso. Mas vale a pena refletir a respeito dos benefícios e da solidariedade. E, se você tem o desejo de salvar vidas, deixe isso registrado. Converse com seus parentes!

O texto que compartilho com vocês fala sobre a burocracia nos transplantes aqui no Brasil, considerado o país com um dos maiores sistemas de transplante de órgãos DO MUNDO!

Da Agência Brasil, 27/09/2012

Apesar de contar com o maior sistema público de transplantes do mundo, “dificuldades burocráticas” comprometem a melhoria dos índices no Brasil, disse o coordenador do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari. Segundo ele, a pasta deve apresentar em 2013 um novo sistema de informação dentro da rede de transplantes, capaz de gerenciar uma lista única de receptores de órgãos, utilizando uma plataforma tecnológica mais moderna. A atualização dos dados dos pacientes, por exemplo, poderá ser feita pelo profissional de saúde por meio de um smartphone.

Durante evento para marcar o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos – lembrado nesta quinta-feira (27) – Murari destacou que a legislação brasileira atual exige o laudo de dois neurologistas para atestar casos de morte encefálica (quadro caracterizado pela perda definitiva e irreversível das funções cerebrais e que abre caminho para a doação de órgãos do paciente). De acordo com o coordenador, há uma proposta de autoria do Conselho Federal de Medicina (CFM) para que a exigência, em caso de morte encefálica, passe a ser o laudo de dois médicos com qualificação em terapia intensiva, e não mais em neurologia. “Vamos aproveitar para adequar o decreto à proposta do CFM, que é quem determina o critério de morte encefálica pela lei brasileira e, ao mesmo tempo, modernizar uma série de itens”, explicou.

A previsão é que as alterações sejam encaminhadas à Casa Civil até o fim deste ano. Segundo Murari, o ministério deve anunciar hoje uma portaria que trata da capacitação em transplantes. O texto, segundo ele, vai instituir a atividade de tutoria em transplantes e prevê o repasse de recursos para instituições definidas como tutoras. “Vamos institucionalizar o ensino do processo de doação de órgãos e de transplantes”, disse. “Vai acabar a necessidade de pessoas jurídicas se organizarem para dar cursos em estados menos desenvolvidos”, completou.

Dados do governo federal indicam que alguns estados, como o Rio Grande do Norte, já conseguiram zerar a fila de transplantes. O termo é utilizado quando o tempo médio de espera por um órgão não ultrapassa 30 dias. A expectativa da pasta é que, até 2015, todos os estados brasileiros tenham zerado suas filas.

Outra meta definida pelo governo é contabilizar 15 doadores de órgãos para cada 1 milhão de habitantes – o melhor índice na América Latina. Nos primeiros quatro meses de 2012, o número registrado no país foi 13 doadores para cada 1 milhão de habitantes.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/09/27/brasil-tem-maior-sistema-publico-de-transplantes-do-mundo-mas-burocracia-ainda-atrapalha.htm

Abraços,

Anna Motzko

Botulismo: tá na mídia, tá no blog.

A doença não é de hoje. Olha a microbiologia aí, biomédicos! E, aproveitando a deixa da mídia nessa semana, pesquisei um pouco mais a respeito.

Achei uma matéria bacana, que quero dividir com vocês.

SAIBA MAIS SOBRE O BOTULISMO E COMO SE PREVENIR

Portal R7, de 23/08/2012

O botulismo é uma doença rara causada por uma bactéria chamada Clostridium botulinum, que produz toxinas potencialmente fatais.

Clostridium botulinum, a bactéria causadora do botulismo.

A toxina botulínica contamina principalmente alimentos enlatados ou em vidro, como palmito, ervilha, milho e picles, além de conservas caseiras e pastas. O dr. Anthony Wong, toxicologista e chefe do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas de São Paulo, explicou:

— As pessoas precisam tomar muito cuidado ao consumir alimentos produzidos de forma artesanal, como mel, geleias, compotas, palmito etc. Isso porque não sabemos em quais condições de higiene eles foram feitos e a toxina botulínica é anaeróbia, ou seja, vive em ambiente com pouco ou sem oxigênio.

A doença pode se manifestar pelos seguintes sintomas: dores de cabeça, vertigem, tontura, sonolência, visão turva ou dupla, diarreia, náuseas, vômitos, dificuldade para respirar, comprometimento de nervos cranianos, prisão de ventre e infecções respiratórias.

— Como os sintomas são muito parecidos com os de pneumonia, as pessoas podem demorar para buscar ajuda médica ou o próprio profissional erra o diagnóstico.

Por ser uma doença com alto índice de morte, é importante procurar o médico no ínicio dos sintomas para antecipar o diagnóstico da doença. O tratamento, basicamente, é a aplicação de soro antibotulínico.

— A toxina botulínica é a mais potente da face da Terra, não à toa o botulismo é uma doença muito grave que leva à morte em pouco tempo. E as crianças são as principais vítimas da doença porque têm massa corpórea pequena e são mais suscetíveis.

Quer saber mais?

Assista ao vídeo:

Abraços,

Anna Motzko

Doação de órgãos: eu CURTO e COMPARTILHO.

USUÁRIO BRASILEIRO DO FACEBOOK VAI PODER DECLARAR SER DOADOR DE ÓRGÃOS

Iniciativa é parceria de rede social com o Ministério da Saúde

A partir desta segunda-feira, os usuários do Facebook no Brasil vão poder declarar em seu perfil a intenção de ser doadores de órgãos. A iniciativa é fruto de uma parceria da rede social com o Ministério da Saúde, com a intenção de aumentar o número de doadores no país. A opção não deve substituir o caminho formal para a doação de órgãos, cuja decisão ainda fica a cargo da família. “A nova funcionalidade vai permitir que milhões de usuários possam, de maneira simples, declarar sua vontade de doar órgãos. Ela vai tornar a intenção mais clara para família e amigos”, diz Alexandre Hohagen, vice-presidente do Facebook na América Latina.

Para declarar sua intenção, o usuário deve entrar em seu perfil na rede social e escolher atualizar seu status. Ali, ele deve clicar em evento cotidiano e na opção saúde e bem estar. Finalmente, ele vai escolher se declarar um doador de órgãos para todos os seus contatos na rede social. “O usuário também poderá escolher quem vai ver essa informação, dentro da opção critérios de privacidade”, diz Alexandre Hohagen.

Segundo Alexandre Padilha, ministro da Saúde, além de ajudar os doadores atuais a declarar sua intenção, a campanha deve incentivar a prática e trazer novos voluntários. “Vamos criar um burburinho sobre isso, dialogando com o público jovem. A intenção é criar uma onda de solidariedade”, diz.

Balanço – No começo deste ano, o Brasil atingiu um recorde no número de doadores de órgãos. “No começo da década, tínhamos cinco doadores por milhão. Agora somos 13,6 por milhão”, diz Alexandre Padilha. Esse número superou as expectativas do Ministério, que esperava atingir a marca só no final de 2013. Além disso, o número de transplantes subiu 37% entre os primeiros quatro meses deste ano e o mesmo período do ano passado. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Agora, sua intenção é usar  o poder das redes sócias para aumentar ainda mais esse número.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/usuario-brasileiro-do-facebook-vai-poder-declarar-ser-doador-de-orgaos

Anna Motzko

Diagnóstico precoce, a constante ambição da Medicina – Alzheimer

Todo e qualquer avanço nas Ciências Médicas são louváveis, pois é a vida do ser humano que está ali, em constante estudo, em constante análise, a fim de sempre valorizar e melhorar a qualidade de vida. Sempre aplaudirei aquele que dedicar a vida a salvar a vida do próximo, e é por isso que me interesso tanto por pesquisas científicas e me ‘infiltrei’ nessa área (!).

Aos biomédicos, futuros biomédicos e amantes da área da saúde, fica uma notícia que li hoje. Grandes descobertas surgem do pequeno interesse de pessoas de grandes corações e grandes mentes, e, graças a Deus, não faltam aqueles que dão o sangue e o tempo pelo bem do outro.

Antes de ler a notícia, assista esse vídeo, que explica detalhadamente e de forma bem lúdica o que é o Mal de Alzheimer e o porquê da importância do diagnóstico precoce.

CIENTISTAS DETECTAM MAL DE ALZHEIMER ANTES DOS SINTOMAS APARECEREM – BBC Brasil, 12/07/2012

 

 

 

 

 

 

 

Um grupo de cientistas americanos desenvolveu uma técnica para detectar sinais do mal de Alzheimer 25 anos antes da doença apresentar seus primeiros sintomas. A pesquisa é a porta de entrada para novos tipos de tratamentos precoces que podem se tornar a melhor chance da medicina para combater a enfermidade.

Os cientistas, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, selecionaram para o estudo pacientes britânicos, americanos e australianos que possuem risco genético para desenvolver a doença. Dos 128 pacientes examinados, 50% têm chances de herdar uma das três mutações genéticas conhecidas pela ciência que provocam o mal de Alzheimer. O grupo também tem chance aumentada de começar a sofrer da doença a partir dos 30 ou 40 anos – muito mais cedo que a maioria dos pacientes de Alzheimer, que desenvolvem o mal na casa dos 60 anos.

Os pesquisadores analisaram os pais dos pacientes para descobrir com que idades eles haviam desenvolvido a doença. A partir disso começaram a tentar avaliar quanto tempo antes disso era possível detectar os primeiros sinais da enfermidade.

Foram realizados exames de sangue, de líquor (fluído espinhal), de imagens do cérebro e também avaliações de habilidades mentais nos pacientes. Os pesquisadores descobriram, então, que era possível detectar pequenas mudanças no cérebro de quem possuía alguma das mutações que no futuro levarão ao surgimento do Alzheimer.

Por volta de 15 anos antes do aparecimento da doença, pacientes já apresentavam níveis anormais de uma proteína de células que podem ser encontradas no fluído espinhal. Além disso, imagens do cérebro revelaram encolhimento em algumas regiões do cérebro desses pacientes.

Dez anos antes dos primeiros sintomas foram detectados problemas de memória e um processamento anormal da glicose no cérebro dos estudados. Em pacientes que não possuiam as mutações, não foram detectadas alterações nesses marcadores. Os resultados da pesquisa foram publicados no New England Journal of Medicine.

“Essa importante pesquisa mostra que mudanças-chaves no cérebro, relacionadas à transmissão genética da doença acontecem décadas antes do aparecimento dos sintomas. Isso pode gerar grandes implicações para o diagnóstico e o tratamento no futuro”, afirmou Clive Ballard, diretor de pesquisa da Sociedade de Alzheimer.

“Os resultados de pacientes com Alzheimer herdado por fatores genéticos parecem similares às mudanças provocadas em casos não-genéticos, na forma comum da doença”, disse Eric Karran, diretor de pesquisa da Sociedade Britânica do Alzheimer.

“É provável que qualquer novo tratamento para Alzheimer deverá ser começado mais cedo para ter a melhor chance de sucesso”.

“A habilidade para detectar os primeiros estágios da doença de Alzheimer não só permite que as pessoas planejem e tenham acesso aos cuidados e tratamentos existentes mais cedo, mas também permitirá que novas drogas sejam testadas nas pessoas certas, na hora certa”.

Abraços,

Anna Motzko