Pesquisas apontam que perda de memória por idade pode ser reversível

PERDA DE MEMÓRIA POR IDADE PODE SER REVERSÍVEL, MOSTRA NOBEL

Do UOL, 28/08/2013

A deficiência de uma proteína no hipocampo cerebral é a principal causa para a falta de memória no envelhecimento, mas esse processo associado à idade pode ser reversível, diferente do que acontece com o alzheimer, aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) no periódico médico da Associação Americana de Ciência, a Science Translational Medicine.

O novo estudo foi liderado por um dos maiores especialistas em memória do mundo, o austríaco Eric Kandel, que trabalha na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O neurocientista foi premiado em 2000, junto com Arvid Carlsson e Paul Greengard, com um Nobel de Fisiologia e Medicina por suas pesquisas em lesmas-do-mar que identificaram os genes e as proteínas que tornam possíveis as lembranças de curto e longo prazo nos neurônios.

“Nossa pesquisa fornece sólidas evidências de que a perda de memória associada à idade é uma síndrome com causas e consequências independentes do Mal de Alzheimer“, afirma Kandel na divulgação da Universidade. “Os resultados terão impacto na saúde pública.”

Para diferenciar os processos de perda de memória desencadeados pelo envelhecimento dos iniciados pelo Mal de Alzheimer, o grupo avaliou células cerebrais em estado de pós-morte retiradas de oito adultos que tinham entre 33 e 88 anos.

Isso lhes permitiu isolar as regiões do hipocampo, que se ocupam da aprendizagem e da memória no cérebro, prejudicadas por cada um dos dois tipos de perda de memória, destacando o papel da proteína RbAp48. Eles apontaram que seu declínio no cérebro está associado a uma menor capacidade do órgão em lembrar de fatos.

Processo reversível

Depois de identificar a ação da proteína nas amostras de células cerebrais humanas, os neurocientistas fizeram alterações genéticas da RbAp48 para saber como ela se comportava nos cérebros de camundongos jovens em comparação aos dos animais mais velhos.

Nesse estudo adicional, o grupo constatou nas espécimes mais jovens a mesma perda de memória das cobaias mais velhas, causada “naturalmente” pelo envelhecimento. Porém, ao restaurar os níveis da proteína, a memória dos camundongos jovens voltava à capacidade normal.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores fizeram transferência genética viral nos cérebros de camundongos velhos, aumentando a presença da RbAp48. Eles observaram uma melhora na capacidade de memória com a proteína, com índices comparáveis aos notados em camundongos jovens.

“O fato de termos conseguido reverter a perda de memória associada ao envelhecimento nos camundongos é encorajador”, diz Kandel.

“Isso mostra que a RbAp48 tem um papel fundamental nesse processo, e que a perda de memória associada à idade se dá numa mudança no funcionamento dos neurônios, diferenciando esse tipo de perda de memória da influenciada pelo Mal de Alzheimer, que causa perda significativa de neurônios no cérebro.

O artigo científico ressalta, no entanto, que ainda não é possível afirmar que a técnica se aplicaria a cérebros humanos.

“Ainda não temos como afirmar que a técnica funcionaria em humanos, mas o ponto é que, para desenvolver intervenções eficazes, primeiramente temos de achar o alvo correto. Agora nós já temos esse alvo e podemos avaliar terapias que podem funcionar no combate à perda de memória, sejam elas farmacêuticas, nutracêuticas ou à base de exercícios físicos e cognitivos”, conclui Scott Small, coautor do estudo com ratos.

Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/08/28/falta-de-proteina-no-cerebro-afeta-perda-de-memoria-indica-nobel.htm#fotoNav=69

Anna Motzko

Viver num presente absoluto. E continuar VIVENDO.

Li uma matéria no Ciência Hoje, site do UOL, que me deixou bastante instigada e, ao mesmo tempo, comovida. Me interesso muito sobre assuntos relacionados à mente humana, sua fisiologia e derivados. A matéria era sobre o caso de um senhor chamado Clive Wearing.

O britânico Wearing, contraiu, em 1985, uma encefalite por herpes e, desde então, desenvolveu o MAIOR CASO DE AMNÉSIA de que se tem notícia! Como se pode observar no vídeo, ele não tem a capacidade de reter/guardar mais que dez segundos de memória. Como diz Thiago Camelo, autor da matéria,  “ele está preso num presente absoluto, um mundo sem lembranças e – menos ainda – projeções”.

Segundo a esposa de Wearing, ela é a única pessoa que o homem reconhece. Ele responde perguntas, mas logo não se lembra mais do que lhe foi perguntado, e nem o porquê da pergunta. Os encontros com a esposa são, mais ou menos, como naquele filme, “Como se fosse a primeira vez”, lembram? Ele a reconhece, porém com algumas limitações.

O mais interessante nessa história da condição de Clive Wearing é o fato de já estar com 73 anos de idade e ser MAESTRO! Sim! MA-ES-TRO! Ele lê partituras, toca piano.. E já era capaz de fazer tudo isso antes de adquirir a doença!

Mas COMO? Neurocientistas dizem que a memória musical fica armazenada num local diferente do lobo temporal médio do cérebro, afetado pela doença e, de fato, fundamental para eventos que exigem lembranças do tipo ‘como’, ‘quando’, ‘onde’, mas, aparentemente, menos importante para lembranças de melodias, harmonias e ritmos. Segundo eles, “a música libertou Wearing de sua condição pois, quando há música, ele volta a ser o que sempre foi”. E a opinião da esposa em um dos vídeos sobre o caso concorda: “A música é onde podemos estar juntos, enquanto está tocando ele é totalmente normal”

O fato de, mesmo em casos de amnésia densa/grave, a memória musical ser mantida, leva cientistas a acreditar que a música pode ser relacionada a atividades que tornaram-se dificultosas, como tomar uma medicação, ou mesmo à musicoterapia, levando os pacientes desses casos raros a terem uma qualidade de vida muito melhor.

Outro fato interessantíssimo é que a esposa de Wearing diz que o marido é capaz de melhorar suas apresentações a cada vez que elas ocorrem!

Casos assim fazem ou não fazem com que pensemos sobre nossas “dificuldades”, hein?!

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2011/12/musica-para-nao-esquecer

Abraços,

Anna Motzko